terça-feira

Tendência onde?

Bonjour Misses,

Começo esse post pedindo licença ao blog da Julia Petit para compartilhar com vocês um texto da Mariana Inbar que eu amei e tem tudo a ver com o Coque...

Olhem só...


"Como contei aqui durante as festas de fim de ano, passei a penúltima semana de 2013 em Paris, curtindo o Natal em família e batendo muita perna pela cidade. As férias foram uma ótima oportunidade de ver de pertinho um monte de peças que a gente mostrou aqui no Petiscos ao longo do ano – muitas vezes, é verdade, falando mal. Sabe que não estávamos lá tão enganadas? Na vitrine da loja do Tom Ford, o vestido com aquele bordado enorme no quadril era de tecido e acabamento tristes. Os vestidinhos grunge da Saint Laurent não perdem em nada para modelitos de lojas de departamento bem baratinhas. Troque sua etiqueta e tire alguns zeros do seu preço e aposto que ele encalha. Tudo grife… Mas com cara de fast fashion. De loja em loja, tirando a Valentino (e mesmo assim, desconte aquela quantidade exagerada de bolsas e sapatos de tachinhas, por favor), nada parecia especial, marcante, nada fez meu coração bater mais rápido ou sonhar em ganhar na loteria.
Mesmo assim, a alienação corre solta, a histeria reina, e as mulheres continuam se rasgando por uma estampa que vai ficar tão batida em questão de poucos meses que virou a temporada você não vai querer nem chegar perto. Semana retrasada contei para vocês sobre o tal abismo entre a imprensa de moda, que tenta nos empurrar tendências infalíveis, e o que realmente vemos nas ruas, com o tal casacão rosa. Todo mundo alardeou a peça como a “tem que ter” da temporada, mas na rua mesmo nada. O WGSN chegou a dizer que era porque os modelos todos eram de grifes caras, mas isso nunca foi problema – o bordado inglês da Louis Vuitton foi parar na Zara e na H&M em pouquíssimo tempo, e todo mundo podia ter sua golinha bordada por preços inferiores a três dígitos. O que vejo acontecer com cada vez mais frequência é a moda olhando apenas para o próprio umbigo. Prova disso? Uma matéria no Fashionista ontem listando as tendências que saíram das passarelas e entraram pra valer no guarda-roupa das mulheres. A pergunta é: quais mulheres? Porque ainda estou pra ver o pijama de seda virar look popular. De novo, ou são listas inventadas ou o pessoal continua achando que o que editora de moda usa na porta do desfile é o que todo mundo tá comprando por aí. O tal do abismo entre vida real e editoriais de revista e Tommy Ton segue firme e forte. Isso sim é tendência.
Junte a isso a rapidez da moda e o gosto duvidoso do que anda se enaltecendo como hit por aí e você tem um cenário triste do que a moda está se tornando. Sabe aquele sentimento de vergonha que a gente tem quando vê fotos de 20 anos atrás e pensa: “Meu Deus, como eu usei essa roupa, que ridículo!” A sensação agora é de que o pessoal está fazendo a mesma coisa, só que com roupas que usava há poucos meses. Será que alguém ainda quer ser vista usando aquelas calças de Beetlejuice? E cadê aquele monte de roupa com estampa de cerâmica que povoaram os blogs de moda há não muito tempo? Sumiram! Os tênis de salto embutido, que eram praga nas ruas ainda aparecem nas prateleiras, mas ficam por lá mesmo. Por aqui nunca mais vi ninguém usando. Haja orçamento para, a cada temporada, renovar o guarda-roupa todo ou descartar calças, bolsas e blusas que são frutos apenas de impulso e acabam se tornando, muitas vezes, arrependimento.
Nós já contamos para vocês quais são as tendências que estouraram mas que a gente se recusa a usar, e a lista parece crescer a cada temporada. Junte à camiseta curtinha o casacão de Didi Mocó, as Birkens com cara de chinelão Rider da Céline, os vestidos grunge cafoninhas da Saint Laurent, aquela estampa quadriculada da Louis Vuitton que deve ter feito muita gente enjoado até de jogar xadrez…"


E tem também o pijamão. Tudo isso estava na tal lista de tendências que emplacaram do Fashionista. Mas quantas pessoas de pijama de seda você viu na rua? E as mulheres trocaram mesmo as sandálias por chinelão? Se a moda é bota branca de corrente da Chanel, tipo Paquitas…


"A coisa tá séria. Como não cair nessas armadilhas e manter o look atual? É simples demais: as revistas e sites de moda estão aí para serem lidos, mas não seguidos cegamente. Look legal é aquele que tem tudo a ver com você, é aquele que você usa não porque o site X disse que é incrível, mas porque você olhou e achou incrível, seja ele aquela saia que você tem no armário há dez anos ou aquela sandália que você comprou há um mês. Fuja do que é marcado demais, do que todo mundo tem, e se conheça cada vez mais. Dê valor ao seu dinheiro. Outro dia a Garance Doré contou no seu blog que estava diminuindo as compras pois sentia falta de paquerar um casaco por um tempão, pensar se ele combinava com tudo que ela tinha, se ela ia usar muito, e finalmente ir até a loja e comprar, convicta. Segundo ela, suas compras estavam se tornando trivialidades e não algo especial. E não faz muito tempo que a Cathy Horyn disse que as peças de desfiles e estouradas em editoriais estavam encalhando nas lojas e as mais clássicas vendendo normalmente: é chato demais sair por aí totalmente identificável, não é não? Gostar de moda é uma coisa, ser vítima dela é outra completamente diferente. E muito sem graça."


Fotos: Getty Images/ Instagram/ Hollywood Life/ Style.com/ Céline/JuliaPetit


Au Revoir,

@MissJota

Escrito por...

Criciúma, SC, Brazil
Administradora por formação, professora por vocação e blogueira pela comunicação. And... Sou apaixonada por "looks do dia", moda, viagens, filmes, livros, blogs e "peruices" em geral. E é aqui no "Diário do Coque Frouxo" que eu dou "pitaco" sobre tudo isso...

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